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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

poema de desamor

Desmama-te desanca-te desbunda-te
Não se pode morar nos olhos de um gato
 Beija embainha grunhe geme
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Serve-te serve sorve lambe trinca
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Queixa-te coxa-te desnalga-te desalma-te
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Arfa arqueja moleja aleija
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Ferra marca dispara enodoa
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Faz festa protesta desembesta
Não se pode morar nos olhos de um gato

 Arranha arrepanha apanha espanca
Não se pode morar nos olhos de um gato
Alexande O'Neill

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

.Pablo Neruda - Tu eras também uma pequena folha




Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.